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Suécia: cristãos separados das filhas vão a Corte europeia

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Suécia: cristãos separados das filhas recorrem a Corte europeia
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O casal Daniel e Bianca Samson, cidadãos romenos que viveram por quase uma década na Suécia, levou ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) um caso que envolve a separação de suas duas filhas mais velhas pelo sistema sueco de proteção à criança. Os pais afirmam que as meninas foram indevidamente removidas de seu convívio familiar e que seus direitos paternais e de liberdade religiosa foram violados.

O processo foi apresentado com o apoio da organização ADF International, grupo de defesa dos direitos humanos com sede em Viena. A entidade declarou que o caso “levanta sérias preocupações sobre atrasos, excessos e possível discriminação contra cristãos” dentro do sistema de bem-estar infantil sueco.

A remoção das crianças

De acordo com os registros apresentados à Corte, as meninas — de 10 e 11 anos à época — foram retiradas de casa em dezembro de 2022, depois que uma delas teria denunciado abusos na escola. A denúncia foi posteriormente retirada, mas, segundo os pais, as autoridades se recusaram a devolver as crianças.

O episódio teria começado após os pais negarem o pedido da filha por um smartphone e maquiagem, alegando motivos relacionados à idade. O relato gerou acusações de “extremismo religioso” e abuso infantil. Embora o Ministério Público sueco tenha encerrado a investigação por falta de provas, as meninas continuaram sob custódia do Estado, sendo enviadas para lares adotivos diferentes e distantes entre si.

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Os Samsons têm direito a uma visita supervisionada por mês. Entre janeiro e junho de 2024, eles concluíram um curso estatal de parentalidade, no qual dois terapeutas certificados atestaram sua competência como cuidadores. Ainda assim, as autoridades não permitiram a reunificação familiar.

Segundo o casal, as filhas passaram por diversos lares e uma delas teria enfrentado problemas de saúde física e mental, além de uma tentativa de suicídio. Ambas teriam pedido para retornar para casa.

Discriminação à fé cristã

Nos autos do processo, o advogado do Estado sueco classificou a família como “extremista religiosa”, citando a frequência da igreja três vezes por semana e a recusa em permitir o uso de certas roupas e maquiagens. A defesa dos pais argumenta que tais práticas são expressões legítimas de fé cristã, protegidas pelos Artigos 8 e 9 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que garantem o direito à vida familiar e à liberdade religiosa.

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“Amamos nossas crianças. Confiamos na Suécia para protegê-las — e quando a verdade veio à tona, esperávamos que nossas filhas voltassem para casa. Mesmo assim, elas continuam longe de nós, e sua saúde mental continua a se deteriorar”, declarou Daniel Samson, ao explicar a decisão de recorrer à instância europeia após a Suprema Corte da Suécia se recusar a revisar o caso em março de 2025.

A família também solicitou a transferência das meninas para o sistema de acolhimento da Romênia, mas o pedido foi negado. Atualmente, os pais vivem novamente na Romênia, acompanhados de seus outros cinco filhos, enquanto aguardam a tramitação do processo em Estrasburgo.

Declarações e repercussões

O advogado internacional Robert Morales Sancho, representante da ADF International, afirmou que o caso “atinge o cerne do direito mais fundamental de todos os pais”.

“Apesar de uma investigação completa que inocentou o Sr. e a Sra. Samson de qualquer abuso, as autoridades suecas prolongaram o sofrimento desta família e ainda não permitiram que as crianças voltassem para casa”, declarou, de acordo com o The Christian Post. “Os Samsons estão vivendo o pior pesadelo de qualquer pai, tendo perdido seus filhos para o Estado por quase três anos”.

Em entrevista ao European Conservative, Daniel Samson descreveu a separação como devastadora, afirmando que as filhas foram transferidas repetidamente entre famílias adotivas localizadas a centenas de quilômetros de distância, o que impediu visitas por meses. Segundo ele, uma das meninas aparenta forte medicação e retraimento emocional:

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“Pelo jeito que ela olha, ela não está olhando para você. Ela está olhando através de você”.

Os pais alegam que cumpriram todas as exigências impostas pelo Estado, mas que os relatórios positivos foram ignorados. Daniel teria dito às assistentes sociais:

“Vocês podem nos visitar diariamente. Eu até permitirei que coloquem câmeras em todos os cantos da casa, mas, por favor, deixem que eles voltem para casa”.

Liberdade religiosa na Europa

Segundo os advogados, as autoridades suecas chegaram a confiscar materiais religiosos das crianças, alegando que histórias bíblicas em áudio continham “passagens muito violentas”. A ADF International sustenta que esse tipo de ação evidencia discriminação contra expressões cristãs de fé, o que contraria os princípios da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

O Tribunal Europeu de Direitos Humanos, sediado em Estrasburgo, já registrou decisões anteriores contra países como Noruega e Espanha em casos semelhantes de separação familiar, considerando que os Estados extrapolaram sua autoridade ao afastar crianças de forma permanente sem justificativa suficiente.

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