esporte
Técnico na NBA, Joe Mazzula revela desejo de ser diácono
O técnico do Boston Celtics, Joe Mazzulla, de 36 anos, afirmou recentemente que sempre teve o desejo de se tornar diácono católico e que tem “lutado com Deus” para equilibrar sua busca por vitórias no basquete com a gratidão pelas bênçãos que já recebeu.
Em entrevista ao podcast católico Godsplaining, conduzido pelo padre Joseph-Anthony Kress, o treinador refletiu sobre a fé, a ambição e o sentido espiritual de sua carreira.
Durante a conversa, Mazzulla revelou que acabou de se tornar elegível para o diaconato, algo que considera um chamado antigo. “Sempre quis ser diácono”, declarou. Na Igreja Católica, o diaconato é uma ordenação permanente concedida a homens — inclusive casados — com 35 anos ou mais, permitindo-lhes realizar batismos, celebrar casamentos, conduzir orações, funerais e prestar assistência pastoral, embora não possam celebrar a missa.
O risco da ambição
Ao refletir sobre sua jornada espiritual, Mazzulla admitiu travar uma luta interior. “Será que eu fico ganancioso e quero mais?”, questionou. “Como encontrar o equilíbrio entre desejar vencer e ser grato por tudo o que Deus já me deu?” O técnico disse temer tornar-se semelhante ao “jovem governante rico” citado nos Evangelhos — alguém que, apegado aos bens materiais, não consegue abrir mão do que possui. “Meu maior medo é acordar daqui a 10 anos e perceber que a vida passou sem que eu tenha estado disposto a abandonar meus tesouros terrenos”, afirmou.
O padre Kress concordou, destacando que a tensão entre desfrutar das coisas boas da vida e não se apegar a elas é uma das experiências mais desafiadoras da fé cristã. “O Senhor quer que sejamos excelentes, mas sem nos deixarmos dominar por isso”, explicou. Mazzulla respondeu dizendo que vive exatamente essa tensão: “É o estado espiritual em que me encontro, e é um estado difícil de se estar.”
Fé e esporte
O treinador também falou sobre sua criação católica e como o esporte moldou sua identidade. “Quando criança, é mais fácil acreditar que sua identidade está no basquete do que entender que alguém morreu e deu a vida por você”, disse, referindo-se a Jesus Cristo. Ele relatou que uma lesão na universidade, que o afastou das quadras por um ano, o levou a uma reflexão profunda sobre dependência emocional do sucesso esportivo.
“Você não percebe o quanto está preenchendo o vazio espiritual com coisas mundanas”, explicou. “Eu percebi que estava tentando preencher o espaço de Cristo com o basquete, com vitórias, com a convivência no vestiário.” A pausa forçada o fez compreender que seu valor não vinha do desempenho esportivo, mas de sua relação com Deus.
Mazzulla aconselhou jovens atletas a colocarem sua identidade na fé, não no desempenho. “Confiem no que Deus diz sobre vocês. Seu valor e seus dons vão muito além da capacidade temporária de ter um alto rendimento. Isso não é eterno, não dura para sempre.”
Fé pública
A entrevista ao Godsplaining é uma das várias ocasiões em que o técnico expressa publicamente sua fé católica. Durante as finais da NBA de 2024, ao ser questionado sobre a presença de técnicos negros nas equipes finalistas, Mazzulla respondeu: “Eu me pergunto quantos deles são técnicos cristãos.” A declaração foi interpretada como uma afirmação de que sua identidade cristã tem mais peso que questões raciais.
De acordo com o The Christian Post, após conquistar o título com os Boston Celtics, Mazzulla apareceu usando uma camiseta com os dizeres “Mas primeiro… deixe-me agradecer a Deus”, reforçando seu compromisso espiritual. Em entrevistas posteriores, ele descreveu a fé como “a coisa mais importante da minha vida” e acrescentou: “Deus nos colocou aqui por um motivo”.
Entre o sucesso nas quadras e a vocação religiosa, Joe Mazzulla parece ver sua trajetória como um chamado duplo — liderar com excelência no esporte e servir com humildade à Igreja. “Se eu conseguir vencer sem perder a alma”, afirmou, “então estarei exatamente onde Deus quer que eu esteja”.
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