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Trump estuda ação militar na Nigéria contra genocídio cristão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em 03 de novembro que considera enviar tropas ou realizar ataques aéreos na Nigéria, caso o governo local não interrompa o que ele classificou como “massacres de cristãos”.
“Estão matando grandes quantidades de cristãos na Nigéria… Não vamos permitir que isso aconteça”, declarou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One, durante o retorno a Washington, após o fim de semana na Flórida. O presidente acrescentou que “podem ser tropas em terra, podem ser outras ações. Imagino muitas possibilidades”.
A fala de Trump ocorreu após a reincorporação da Nigéria à lista americana de “Países de Preocupação Especial” em matéria de liberdade religiosa — classificação que também inclui China, Myanmar, Coreia do Norte, Rússia e Paquistão.
Em resposta, autoridades nigerianas afirmaram estar abertas à cooperação com os Estados Unidos no combate a grupos armados, mas destacaram a importância de respeitar a soberania nacional. “Recebemos com satisfação a ajuda dos EUA, desde que nossa integridade territorial seja reconhecida”, declarou Daniel Bwala, assessor do presidente Bola Tinubu.
Bwala acrescentou que não acredita na literalidade de algumas declarações do líder americano e demonstrou confiança no diálogo diplomático entre os dois países. “Por meio da cooperação, encontraremos maneiras de enfrentar o terrorismo conjuntamente”, disse.
Conflitos
A Nigéria, país mais populoso da África, possui mais de 200 milhões de habitantes e uma diversidade étnica e religiosa marcada pela divisão entre o norte muçulmano e o sul cristão. Há mais de 15 anos, grupos extremistas como o Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) promovem ataques, principalmente no nordeste do país.
Embora parte dessas ações seja descrita como anticristã, investigações apontam que a maioria das vítimas também é muçulmana. O próprio governo nigeriano nega a existência de uma perseguição religiosa seletiva. “Não discriminamos nenhuma tribo ou religião no combate à insegurança. Não existe genocídio cristão na Nigéria”, afirmou Bwala.
O presidente Tinubu, muçulmano casado com uma pastora cristã, tem buscado equilíbrio nas nomeações de seu governo. Na última semana, designou um cristão para o cargo de chefe da defesa nacional.
Análises sobre os ataques
De acordo com o projeto ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project), dos 1.923 ataques registrados contra civis na Nigéria em 2024, apenas 50 tiveram motivação religiosa confirmada contra cristãos.
“O discurso dos insurgentes islâmicos frequentemente se apresenta como uma guerra contra cristãos, mas na prática destrói comunidades inteiras e é indiscriminado”, explicou Ladd Serwat, analista sênior da ACLED.
Especialistas em segurança alertam que uma eventual intervenção militar americana dependeria de estreita coordenação com o exército nigeriano e enfrentaria desafios logísticos devido à extensão territorial e à dispersão dos grupos armados. Em 2023, os Estados Unidos retiraram tropas do vizinho Níger, o que tornaria qualquer operação mais complexa.
Situação atual
Trump tem intensificado sua retórica sobre a Nigéria após o aumento da violência em regiões rurais e urbanas no centro e nordeste do país. Nessas áreas, são comuns os confrontos entre pastores muçulmanos e agricultores cristãos por recursos naturais, além de sequestros em massa realizados por quadrilhas criminosas.
Em Abuja, cristãos expressaram apoio à possível intervenção americana. “Se Donald Trump diz que quer intervir, deveriam fazê-lo. Não há nada de errado nisso”, afirmou Juliet Sur, empresária entrevistada pela agência Reuters.
Trump também solicitou ao Comitê de Asignações da Câmara dos Representantes e aos parlamentares Riley Moore e Tom Cole que investiguem a situação e apresentem um relatório detalhado sobre os ataques.
Relatórios internacionais
Segundo o grupo cristão Portas Abertas, cerca de 70% dos cristãos mortos por causa da fé em 2024 foram assassinados na Nigéria. As principais ações violentas são atribuídas ao Boko Haram, à Província do Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) e a milícias fulani.
Esses grupos atacam aldeias, incendeiam igrejas e forçam milhares de famílias a deixar suas casas nas regiões norte e central. O embaixador para a Liberdade Religiosa Internacional, Mark Walker, afirmou que entre 4 mil e 8 mil cristãos são mortos anualmente no país e defendeu uma postura mais firme do governo local. “A Nigéria precisa ser muito mais proativa diante dessa crise”, declarou.
Líderes evangélicos africanos têm apelado por orações e ajuda humanitária. A situação nigeriana tem sido mencionada em campanhas missionárias internacionais e encontros ecumênicos recentes.
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