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Trump está ‘realmente furioso’ com perseguição na Nigéria

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Trump está ‘realmente furioso’ com perseguição na Nigéria
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a expressar publicamente sua insatisfação com a violência contra cristãos na Nigéria, enquanto seu governo afirma intensificar a cooperação com autoridades nigerianas para enfrentar grupos extremistas de inspiração islâmica no país da África Ocidental.

Em entrevista à Fox News Radio na sexta-feira, 21 de novembro, Trump declarou estar “realmente furioso” com a situação e acusou o governo nigeriano de não agir com a firmeza necessária. Segundo ele, “o que está acontecendo na Nigéria é uma vergonha”.

De acordo com a Associated Press, a Casa Branca tem adotado uma estratégia considerada multifacetada para pressionar a Nigéria a conter ataques contra comunidades cristãs. Essa abordagem inclui, por um lado, a possibilidade de medidas duras contra grupos terroristas – inclusive a tática descrita por Trump como “atirar para todos os lados” para “eliminar os terroristas islâmicos” – e, por outro, ações diplomáticas e de cooperação em inteligência e segurança.

Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, citado pela imprensa norte-americana, afirmou que a política do governo Trump combina uso potencial da força, sanções, compartilhamento de informações de inteligência, apoio policial e programas econômicos voltados à estabilização de regiões afetadas.

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No início de novembro, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, reuniu-se com o conselheiro de Segurança Nacional da Nigéria, Nuhu Ribadu. Em comunicado oficial, o Pentágono informou que Hegseth enfatizou a necessidade de o governo nigeriano demonstrar “compromisso” e tomar “medidas urgentes e duradouras” para conter a violência dirigida a cristãos. O texto também registra que Washington deseja cooperar com Abuja para “deter e enfraquecer os terroristas que ameaçam os Estados Unidos”.

A escalada de atenção internacional se intensificou após uma série de episódios recentes, incluindo sequestros de alunos em escolas cristãs e ataques a igrejas, em que fiéis foram mortos ou levados por grupos armados. O governo nigeriano, porém, sustenta que tem atuado de forma contínua contra milícias e organizações terroristas e rejeita a acusação de inação.

Analistas ouvidos pela AP avaliam que ataques aéreos limitados, ainda que chamem a atenção, teriam impacto reduzido diante de décadas de instabilidade no país. Na visão desses especialistas, qualquer ação militar isolada dos Estados Unidos poderia ser contraproducente se não vier acompanhada de uma parceria consistente com a Nigéria, capaz de fortalecer a governança local e a proteção de civis em zonas rurais e de conflito.

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O cenário nigeriano também tem mobilizado figuras públicas fora do meio político. A rapper Nicki Minaj, por exemplo, discursou em um evento na Organização das Nações Unidas (ONU), organizado pelos Estados Unidos, afirmando que “nenhum grupo jamais deveria ser perseguido por praticar sua religião”. Em sua fala, ela destacou particularmente a situação de comunidades cristãs alvo de ataques no país.

A nigeriana Lanre Williams-Ayedun, vice-presidente sênior de programas internacionais da organização cristã World Relief, explicou que a violência atinge tanto cristãos quanto muçulmanos. Ela citou grupos como Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), além de milícias armadas que atuam em áreas rurais.

Segundo Williams-Ayedun, grande parte dos ataques se concentra nos estados do chamado Cinturão Médio da Nigéria, onde pastores nômades oriundos de regiões majoritariamente muçulmanas do norte entram em conflito com agricultores de maioria cristã no sul. A disputa por terras e recursos naturais, agravada por crises econômicas e pela degradação ambiental, intensifica tensões étnicas e religiosas já existentes.

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“Quando você ouve falar do número de pessoas deslocadas na África Subsaariana por causa da perseguição religiosa, muitos não percebem a dimensão do problema”, afirmou, em entrevista ao The Christian Post. Para ela, a expressão “perseguição aos cristãos” ainda é subestimada por parte da opinião pública global, que muitas vezes imagina tratar-se de “alguns grupos isolados”, sem perceber a extensão da violência.

Williams-Ayedun apontou pobreza, corrupção e fragilidade das instituições como fatores centrais que alimentam o ciclo de instabilidade. Na avaliação da líder da World Relief, qualquer resposta internacional – seja de caráter diplomático, econômico ou militar – precisa considerar essas causas estruturais, sob o risco de apenas deslocar o problema sem oferecer soluções de longo prazo.

Enquanto isso, a pressão externa sobre o governo nigeriano tende a crescer. As declarações de Trump, somadas à atuação de organizações cristãs e aos relatos de vítimas em regiões rurais, mantêm o tema na agenda internacional. O debate gira, sobretudo, em torno de duas questões: como proteger comunidades cristãs e outras minorias religiosas e, ao mesmo tempo, evitar que a resposta ao terrorismo aprofunde a instabilidade em um país estratégico para a segurança e a economia da África Ocidental.

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