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Petista diz que umbanda usa ‘cabeça de morto em feitiço’
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o vereador Paulo Vanderlei Faguaga Siqueira, conhecido como Paulo Orelha (PT), por suspeita de discriminação religiosa em São Borja, na Fronteira Oeste. O procedimento foi motivado por declarações do parlamentar que associaram atos de vandalismo no cemitério municipal a práticas religiosas, feitas durante sessão legislativa.
A fala ocorreu na 34ª Sessão Ordinária, na segunda-feira, 6 de outubro de 2025. No pequeno expediente — espaço de até cinco minutos destinado a manifestações livres —, o vereador questionou os episódios de depredação: “Será que não é essas pessoas que fazem ziriguidum? Que vão pegar a cabeça de morto para fazer feitiço?”. Em seguida, afirmou: “Nada contra os umbandistas, os trabalhos, porque eu limpo sempre lá as oferendas e tudo”.
A declaração gerou reação imediata do presidente da Câmara, João Carlos Reolon (Progressistas), que pediu a retirada do termo “umbandistas”. Orelha acatou e indagou: “Então, o que é? Ziriguidunzeiro?”. Posteriormente, o vereador pediu desculpas a todas as religiões, reconheceu que se equivocou, sugeriu a instalação de câmeras no cemitério e cobrou providências do Legislativo ou da Prefeitura para conter os atos de vandalismo.
Após a repercussão, o vereador divulgou nota pública com pedido de desculpas, afirmando não ter intenção de ofender, desrespeitar ou diminuir qualquer crença. A Câmara Municipal informou que a Mesa Diretora irá se reunir para avaliar medidas à luz do Regimento Interno, reafirmando o compromisso com a ética, a transparência e o respeito no exercício do mandato parlamentar, conforme informado pelo G1.
O que diz o vereador
“NOTA DE ESCLARECIMENTO E PEDIDO DE DESCULPAS
Eu, Vereador Paulo Orelha, venho, por meio desta nota, esclarecer e pedir sinceras desculpas a todas as religiões, em especial à religião Umbanda, por uma colocação infeliz feita durante minha fala na Tribuna Livre.
Reconheço que me expressei de forma inadequada e que minhas palavras foram mal interpretadas, gerando desconforto e indignação em muitas pessoas.
Jamais foi minha intenção ofender, desrespeitar ou diminuir qualquer crença, religião ou manifestação de fé.
Meu objetivo, durante o pronunciamento, foi tratar sobre os casos de vandalismo e depredação que vêm ocorrendo no cemitério — e não fazer qualquer julgamento religioso.
A Umbanda, surgida no Brasil a partir do encontro de diferentes culturas e crenças, é uma religião com forte identidade nacional, que valoriza a caridade, o amor ao próximo e o respeito à diversidade espiritual — princípios que merecem todo o reconhecimento e consideração.
Reitero aqui o meu profundo respeito por todas as religiões e tradições espirituais, reconhecendo sua importância na construção de uma sociedade plural, justa e solidária.
Deixo claro que estou à disposição, tanto em meu gabinete quanto em qualquer outro espaço de diálogo, para ouvir, aprender e esclarecer qualquer dúvida ou mal-entendido decorrente do episódio.
Mais uma vez, peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos. O respeito, a empatia e a união sempre serão os princípios que norteiam minha vida pública e pessoal.
Atenciosamente,
Vereador Paulo Orelha
São Borja – RS”.
O que diz a Câmara Municipal de Vereadores de São Borja
“Nota de Imprensa
A Câmara Municipal de Vereadores de São Borja informa que, durante a 34ª Sessão Ordinária, realizada na tarde desta segunda-feira, dia 6 de outubro, o vereador Paulo “Orelha” (PT) realizou manifestação considerada inadequada no âmbito das atividades legislativas.
Diante do ocorrido, a Mesa Diretora irá se reunir para tratar do assunto de forma institucional, adotando as medidas que se fizerem necessárias em conformidade com o Regimento Interno e o compromisso da Casa com a ética, a transparência e o respeito no exercício do mandato parlamentar.
A Câmara reafirma seu compromisso de zelar pelo bom andamento dos trabalhos legislativos e pelo respeito entre parlamentares e à comunidade são-borjense, assegurando que todos os fatos sejam tratados com a seriedade que o Poder Legislativo requer.
São Borja, 6 de outubro de 2025.
Câmara Municipal de Vereadores de São Borja”.
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