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Cidade proíbe construção de mesquita e centro islâmico
Vereadores de Broken Arrow, Oklahoma (EUA) rejeitaram um plano para a construção de um empreendimento de 60 mil metros quadrados que incluiria um centro islâmico e uma mesquita. A decisão foi tomada em uma reunião especial realizada na segunda-feira, que reuniu mais de 1.000 participantes e durou quase quatro horas.
O Conselho Municipal de Broken Arrow votou por 4 a 1 para negar o pedido de rezoneamento de um terreno de 15 acres localizado próximo à South Olive Avenue, em um subúrbio da cidade de Tulsa. O pedido buscava alterar a classificação do imóvel de agrícola para comercial geral, permitindo a construção de um espaço de culto e de serviços comunitários, como banco de alimentos e clínica médica gratuita.
O terreno foi adquirido em 2014 pelo North American Islamic Trust, entidade afiliada à Sociedade Islâmica de Tulsa. Desde o fim do ano passado, a proposta passou a concentrar debates locais intensos.
Durante a reunião, mais de 400 moradores se inscreveram para comentários públicos. Defensores do projeto destacaram a liberdade religiosa, a integração comunitária e a necessidade de um segundo espaço de culto para reduzir a superlotação das instalações existentes na região de Tulsa, onde residiriam até 10 mil muçulmanos. Um participante afirmou ao conselho: “Não estamos pedindo nada além da liberdade de praticar nossa fé pacificamente e de continuar contribuindo positivamente para a comunidade”. Ele acrescentou: “A liberdade religiosa não existe apenas quando é conveniente ou popular. Ela existe para momentos como este”.
Moradores contrários ao projeto levantaram preocupações relacionadas a congestionamento de tráfego, drenagem de águas pluviais, riscos em áreas sujeitas a inundações, estacionamento e outras questões de infraestrutura. Essas preocupações foram reiteradas por conselheiros ao justificar seus votos.
Após a decisão, o Partido Democrata do Condado de Tulsa divulgou uma nota crítica à condução do debate. O texto afirmou: “Independentemente da sua opinião sobre os méritos das alegações de problemas de infraestrutura contra a mesquita islâmica proposta em Broken Arrow, é um fato que a maioria das preocupações da oposição estava abertamente ligada à religião dos requerentes”.
A nota também mencionou episódios ocorridos durante a audiência pública, relatando que alguns moradores teriam pronunciado nomes islâmicos de forma incorreta, com risos e deboche. O partido afirmou que isso ocorreu “sabendo que havia dezenas de pessoas a poucos metros de distância que poderiam anunciar os nomes de forma adequada e respeitosa”.
Autoridades municipais e estaduais sustentaram que a decisão se baseou em planejamento do uso do solo, capacidade da infraestrutura e aderência ao Plano Diretor de longo prazo da cidade, e não em critérios religiosos. A senadora estadual Christi Gillespie, republicana de Broken Arrow, divulgou nota afirmando: “A decisão de ontem à noite reflete o que muitos moradores vêm dizendo há anos: a cidade de Broken Arrow deve seguir seu Plano Diretor e proteger o crescimento econômico de longo prazo em nossa comunidade”.
“Esta proposta não cumpriu a clara designação deste corredor para desenvolvimento comercial e geração de empregos, nem abordou adequadamente preocupações com infraestrutura, tráfego, drenagem pluvial e áreas sujeitas a inundações”, acrescentou.
A votação do conselho ocorreu quase um mês após a Comissão de Planejamento de Broken Arrow aprovar a proposta, em 18 de dezembro. Na ocasião, o comissário Jason Coan justificou seu voto favorável citando direitos de propriedade. “Se fosse a sua organização religiosa tentando construir um templo, como vocês se sentiriam se seus direitos fossem negados?”, questionou. Ele afirmou ainda: “Todos têm o direito de fazer o que quiserem com suas terras, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela cidade e pelo governo”.
Durante o processo, moradores expressaram preocupações de ordem cultural e social. Um deles afirmou: “Tenho uma filha de 15 anos. Não quero que essa ideologia seja imposta a ela”. Em contraponto, um apoiador do projeto declarou à comissão: “Nossos vizinhos muçulmanos já fazem parte do coração desta comunidade. Eles são professores, médicos, empresários e pais”.
Registros municipais indicam que o terreno pertence ao North American Islamic Trust desde 2014, de acordo com o portal The Christian Post. Fundado em 1973 pela Muslim Students Association of the United States and Canada e afiliado à Islamic Society of North America, o NAIT informou em seu site que detém títulos de propriedades em mais de 40 estados dos Estados Unidos.
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