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Intolerância religiosa avança no mundo e atinge 55 países, aponta Pew Research
Dados atualizados do Pew Research Center indicam que a hostilidade motivada por intolerância religiosa no âmbito social registrou alta significativa em 2023, saltando de 45 para 55 as nações afetadas. O número acendeu alertas entre especialistas e defensores dos direitos humanos, que veem na escalada um sinal preocupante para a liberdade de crença em escala global.
Como o estudo é feito
Para chegar aos resultados sobre intolerância religiosa, a instituição americana examinou 198 países e territórios com base em dois parâmetros técnicos: o Índice de Restrições Governamentais (GRI) – que capta entraves legais e normativos à prática religiosa – e o Índice de Hostilidades Sociais (SHI), voltado a episódios de violência e intimidação contra fiéis ou instituições religiosas.
Embora os dados de 2023 apontem uma discreta queda no número de países com restrições impostas por Estados, a animosidade vinda da sociedade civil cresceu em ritmo acelerado. Os pesquisadores vinculam essa tendência ao avanço de ataques contra minorias religiosas e aos reflexos de tensões geopolíticas, com destaque para o ataque do Hamas contra Israel e a posterior guerra na Faixa de Gaza.
Números que chamam atenção
Entre as descobertas mais expressivas, o relatório mostra que os cristãos seguem como o grupo mais perseguido, tendo sofrido assédio em 165 nações. Os muçulmanos vêm na sequência, com ocorrências em 143 países. Já a população judaica foi alvo de hostilidades em 98 países – um crescimento em relação às 90 nações registradas no levantamento anterior.
Em 151 países, houve registro de ao menos uma modalidade de agressão física contra grupos religiosos, ante 145 em 2022. O tipo de incidente mais comum de intolerância religiosa foi a depredação de templos, cemitérios e outros bens sagrados, presente em 120 países – sendo a Europa o continente com maior incidência proporcional: 78% das nações europeias relataram esse tipo de ocorrência.
A pesquisa também contabilizou agressões físicas em 96 países e assassinatos com motivação religiosa em 48 deles. Paralelamente, o controle estatal sobre a fé continuou em patamar elevado: 58 países foram classificados com graus alto ou muito alto de restrições impostas pelos governos.
Reações de entidades e lideranças
A divulgação dos números gerou inquietação entre organizações de defesa dos direitos humanos e representantes de diferentes confissões religiosas. Para eles, o cenário não apenas ameaça o livre exercício da religiosidade, mas também aprofunda sentimentos de receio e desproteção entre comunidades minoritárias.
“Garantir a liberdade de crença é uma obrigação de todos os Estados. A curva ascendente da hostilidade é um chamado urgente à ação coletiva”, afirmou uma porta-voz de entidade humanitária ouvida pelo relatório.
Próximos passos e desafios
Diante da piora contínua dos indicadores sociais, analistas defendem que governos e organismos internacionais precisam agir com prioridade para reverter o quadro. Incentivar o diálogo entre diferentes tradições religiosas e desenhar políticas específicas de proteção a grupos vulneráveis são considerados medidas iniciais indispensáveis.
Além disso, há consenso de que a sensibilização da opinião pública sobre o valor da liberdade religiosa deve ser intensificada em todas as instâncias – da educação básica à mídia. O papel das próprias comunidades de fé, atuando como agentes de convivência pacífica e tolerância, é apontado como fator-chave para que no futuro ninguém seja constrangido ou ameaçado por suas convicções espirituais. Com: GospelMais.
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