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Polícia investiga uso de IA para sexualizar mulheres em igreja
O influenciador Jefferson de Souza, de 37 anos, é investigado por uso de inteligência artificial para manipular imagens de jovens e publicar vídeos com teor considerado inadequado nas redes sociais. O caso é acompanhado pela Polícia Civil de São Paulo desde fevereiro.
Conhecido por produzir conteúdos humorísticos e imitações do apresentador Silvio Santos, Jefferson mantém perfis em plataformas digitais, onde também critica comportamentos de jovens dentro de igrejas. Em vídeos publicados, ele comenta sobre vestimentas e registros fotográficos feitos em templos. “Eu acho assim, não tem nada a ver, tudo bem, cada um com a sua vida, mas eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja”, afirmou.
O influenciador admitiu à polícia que utilizava imagens de fiéis como base para vídeos produzidos com técnicas de deepfake, recurso que permite alterar ou simular imagens e vídeos com aparência realista por meio de inteligência artificial.
A investigação é conduzida pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, na Zona Leste da capital paulista, com acompanhamento do Ministério Público. Jefferson é investigado por suspeita de simular conteúdo de natureza sexual envolvendo menor de idade, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A apuração também inclui possível prática de difamação contra outras jovens.
O caso teve início após uma adolescente, acompanhada dos pais, registrar ocorrência ao identificar sua imagem manipulada em um dos vídeos. A jovem afirmou que a foto foi utilizada sem autorização. “Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial”, declarou. Segundo ela, a exposição gerou constrangimento e preocupação com impactos em sua vida social.
A delegada Juliana Raite Menezes afirmou que o caso envolve a criação de imagens simuladas com características impróprias. “A internet não é uma terra sem lei. As leis que nos protegem no mundo real também se aplicam no ambiente virtual”, declarou.
Outras jovens também relataram tentativas de remoção de conteúdos e adoção de medidas legais. Em um dos vídeos, imagens manipuladas mostram mulheres em poses que não correspondem ao contexto original das fotografias.
Em nota, a defesa de Jefferson afirmou que os conteúdos tinham caráter de sátira: “As publicações tinham o intuito de críticas de costumes, sem intenção de promover exploração sexual ou qualquer violação à dignidade”, informou. Em depoimento, o influenciador negou irregularidades e afirmou que os vídeos tinham objetivo de gerar engajamento.
Posteriormente, ele publicou um pedido de desculpas direcionado a membros da Congregação Cristã do Brasil. “Eu quero pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando. Eu confesso que errei na minha forma de falar”, declarou. Ele não mencionou diretamente o uso de imagens manipuladas.
Especialistas ouvidos destacaram que o uso de inteligência artificial não isenta a responsabilidade de quem produz ou divulga esse tipo de material. A pesquisadora Laura Hauser afirmou que a responsabilidade deve recair sobre quem cria o conteúdo. “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar”, declarou.
A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, alertou para o crescimento de casos semelhantes. “É importante que vítimas dessa violência não se sintam culpadas”, afirmou, de acordo com informações do G1.
A Congregação Cristã do Brasil informou que não possui registro formal de membros e declarou apoio à apuração dos fatos pelas autoridades. Plataformas digitais também se manifestaram. O TikTok afirmou adotar políticas rigorosas contra exploração infantil, enquanto o YouTube informou que removeu conteúdos que violavam suas diretrizes. A empresa responsável por Facebook e Instagram não comentou o caso.
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