cinema
‘Pressão’: decisões sobre Dia D da Segunda Guerra Mundial
O filme Pressão retrata os bastidores da decisão que antecedeu o Dia D, durante a Segunda Guerra Mundial, mostrando como condições climáticas adversas colocaram em dúvida o lançamento da Operação Overlord, considerada uma das ações militares mais importantes da guerra.
A trama acompanha o general Dwight D. Eisenhower, interpretado por Brendan Fraser, durante as 72 horas que antecederam a invasão da Normandia. No filme, Eisenhower precisa decidir se autoriza ou não a operação militar diante da previsão de fortes tempestades que poderiam comprometer o desembarque aliado.
O diretor australiano Anthony Maras afirmou que se interessou pela forma como uma decisão ligada à meteorologia influenciou diretamente o rumo da história mundial.
“É fascinante que a história mundial possa ser decidida por uma única decisão, e que, de todas as pessoas, essa decisão tenha sido tomada por um grupo de meteorologistas na Inglaterra”, declarou.
O longa é baseado na peça escrita por David Haig e acompanha o meteorologista James Stagg, interpretado por Andrew Scott. No contexto da guerra, Stagg alertou os líderes aliados sobre a aproximação de uma tempestade, o que levou Eisenhower a reconsiderar o momento da invasão.
Brendan Fraser afirmou que o peso emocional do personagem está ligado à responsabilidade de enviar milhares de soldados para o combate.
“A pressão neste filme não é apenas barométrica”, disse o ator. “Eisenhower sabia que enviaria dezenas de jovens para a morte”.
Segundo Fraser, o general demonstrava profundo respeito pelas tropas e carregava grande senso de responsabilidade pelas consequências da operação. O ator também destacou as cartas escritas por Eisenhower antes do Dia D: uma celebrando uma possível vitória e outra assumindo pessoalmente a culpa caso a missão fracassasse.
“Na vitória, ele elogiou as tropas. Mas na derrota, ele disse que a culpa era dele e somente dele. Isso é liderança”, afirmou Fraser.
Anthony Maras explicou que buscou retratar Eisenhower além da imagem histórica de herói militar, mostrando um homem exausto, inseguro e pressionado pela possibilidade de tomar a decisão errada.
“O mundo conhece Eisenhower, o presidente, o herói. Mas antes de tudo isso, ele era um homem atormentado por dúvidas”, declarou o diretor.
O elenco também conta com Kerry Condon no papel de Kay Summersby, assessora próxima de Eisenhower durante a guerra. Segundo a atriz, o relacionamento entre os dois personagens revela um lado mais vulnerável do comandante aliado.
“Ele baixou a guarda completamente com ela”, afirmou Condon. “Ele admitiu que estava surtando com essa decisão”.
A atriz disse ainda que passou a enxergar com mais profundidade o impacto humano da guerra após estudar os acontecimentos reais retratados no filme.
“O que realmente me marcou foi a tragédia da guerra”, declarou. “Você percebe o quão corajosos eles foram e o quão aterrorizante aquilo deve ter sido”.
Conhecido anteriormente pelo thriller Hotel Mumbai, Maras afirmou que procurou construir em Pressão um clima constante de tensão psicológica, mesmo em cenas ambientadas principalmente em salas de comando e centros estratégicos militares.
O filme tem classificação indicativa de 14 anos por violência de guerra, imagens sangrentas, linguagem forte e cenas de tabagismo. A estreia nos cinemas está marcada para 29 de maio, poucos dias antes do aniversário do Dia D.
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