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Paquistão: atentado deixa 12 mortos e dezenas feridos
A explosão de um homem-bomba em frente a um tribunal de primeira instância em Islamabad, capital do Paquistão, deixou 12 mortos e ao menos 27 feridos. O atentado, ocorrido em uma área movimentada, é o primeiro ataque contra civis na região em mais de uma década, segundo a Associated Press.
O ataque aconteceu por volta das 14h (horário local), quando o local estava cheio de visitantes e advogados. O terrorista tentou entrar no prédio, mas, ao ser impedido, detonou os explosivos perto de uma viatura policial. Inicialmente, as autoridades acreditaram se tratar de um carro-bomba, mas a descoberta da cabeça do agressor confirmou a natureza suicida da explosão.
A polícia informou que a maioria das vítimas eram transeuntes e pessoas que aguardavam audiências. A área foi imediatamente isolada, e os feridos foram levados a hospitais da capital.
Versões contraditórias
Ainda não há confirmação oficial sobre a autoria do atentado. Mensagens enviadas a jornalistas indicaram que o grupo Jamaat-ul-Ahrar, uma facção dissidente do Talibã paquistanês, teria assumido a responsabilidade. Contudo, um comandante do grupo negou qualquer envolvimento em mensagens via WhatsApp.
O ataque ocorre em meio a um aumento nas tensões regionais envolvendo o Paquistão, o Afeganistão e a Índia. Ministros paquistaneses acusaram o governo afegão de cumplicidade, o que Cabul negou veementemente.
Governo promete resposta
“Estamos em estado de guerra”, declarou o ministro da Defesa, Khawaja Muhammad Asif, em comunicado divulgado após o atentado. “Levar esta guerra a Islamabad é uma mensagem de Cabul, e o Paquistão tem todo o poder para responder.”
O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, atribuiu o ataque a “elementos apoiados pela Índia e pelo Talibã afegão” e prometeu investigar todos os aspectos do caso. Apesar de não apresentar provas, Naqvi garantiu que os responsáveis serão identificados e punidos.
Em entrevista à Geo News, Asif afirmou que ataques preventivos contra abrigos terroristas em território afegão “não estão descartados”.
Violência nas fronteiras
A explosão em Islamabad ocorreu dias após outro incidente na cidade de Wana, quando um homem-bomba e cinco cúmplices atacaram uma academia militar. As forças paquistanesas reagiram e mataram os agressores, atribuindo o atentado ao Talibã paquistanês.
O exército declarou que o país “reserva-se o direito de responder contra terroristas e seus líderes presentes no Afeganistão”.
Os episódios recentes se somam a trocas de tiros entre tropas paquistanesas e talibãs ao longo da fronteira. No dia 6 de novembro, um confronto em Spin Boldak deixou cinco civis mortos, incluindo quatro mulheres, segundo a Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade.
Reações internacionais
O primeiro-ministro Shehbaz Sharif condenou o atentado, classificando-o como “um ato covarde e repreensível”. Ele prometeu que os responsáveis serão capturados e levados à justiça, afirmando: “Não permitiremos que o sangue de paquistaneses inocentes seja derramado em vão.”
O ataque reacende temores sobre o avanço do terrorismo doméstico no Paquistão, impulsionado pelo retorno do Talibã ao poder no Afeganistão em 2021. Segundo o Conselho de Relações Exteriores, o grupo extremista incentivou facções paquistanesas a intensificar operações internas, agravando a instabilidade política e as disputas fronteiriças.
O atentado expôs, mais uma vez, o frágil equilíbrio entre segurança nacional e diplomacia regional em uma região marcada por décadas de conflito e desconfiança mútua, de acordo com o The Christian Post.
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